Qual o limite entre o estético (meus afetos e perceptos) e o ético (meu comportamento na vida e minha relação com os outros)? Como afeto e sou afetado pelo outros e pelo mundo? Como entendo a percepção do outro/ como sou percebido? Como ativar a potência política das nossas poéticas? Há uma dimensão poética na ação política?

PAINEL DE INVENTORES 

BIBLIOTECA do GOETHE INSTITUT SALVADOR-BA

Ao lado das apresentações artísticas, o Festival promove o "Painel de Inventores", um bate-papo performado sobre arte, ciência e tecnologias ligadas às práticas artísticas contemporâneas. Os encontros acontecem dias 13 e 14, das 17h às 19h na Biblioteca do Goethe Institut e reunirão os artistas multimídias, inventores, programadores e pesquisadores Pedro Filho, Bruno Rohde, Glerm Soares e Victor Valentim, respectivamente, que compartilharão suas experiências e descobertas com o público. O acesso aos encontros é gratuito.



Pedro Filho

Músico, Professor, Artista Multimeios


Condução de vozes e a experimentação das potências: um experimento de metonímia musical.

Uma conversa sobre as potências da arte contemporânea e, mais especificamente, de uma possível música contemporânea aberta e expandida, para refletirmos sobre o que podemos fazer e conquistar com nossas vozes. A fala será acompanhada de propostas de experimentos vocais simples, para auxiliar na sensação da metonímia entre a "condução das vozes" e o glissando conceitual que desliza do estético ao ético ao poético e ao político.


A proposta é buscar, nos ouvintes, uma apreensão sensível de conceitos como monofonia (uma voz isolada), homofonia (vozes em movimento homogêneo), polifonia (vozes distintas simultâneas), heterofonia (vozes parecidas, quase simultâneas, não homogêneas). A ideia de "condução de vozes", levemente deturpada da teoria musical tradicional, servirá de base para a proposição dos experimentos vocais, mas não há necessidade de nenhum conhecimento prévio, prático ou teórico, para participar da ação. Serão experimentos, a princípio, de escuta e vocalização simples.


A partir desses experimentos, levantam-se questões: Qual o limite entre o estético (meus afetos e perceptos) e o ético (meu comportamento na vida e minha relação com os outros)? Como afeto e sou afetado pelo outros e pelo mundo? Como entendo a percepção do outro/ como sou percebido? Como ativar a potência política das nossas poéticas? Há uma dimensão poética na ação política? Qual a diferença entre ético-estético e político-poético?


Essas e outras questões, levantadas a partir de um experimento prático de escuta e produção de som a com a voz humana, ajudarão a expandir a noção de voz da capacidade fisiológica de emitir sons vocais (fonação), para o entendimento de voz (fonia) como expressão e como linha de discurso reconhecível na polifonia ruidosa da paisagem sonora contemporânea.

Foto: Lia Cunha

Victor Valentim

Músico, Produtor Musical, Artista Multimídia, Pesquisador de música e novas tecnologias


Cimáticas: Geometrias da Natureza - Diálogos entre o sonoro e o visual

Cimática é o estudo das ondas. Está associado aos padrões físicos produzidos pela interação de ondas sonoras em um meio.

Frequências e seus parciais harmônicos desvendam formas visuais e instigou pesquisadores como Ernst Chladni a desenvolverem seus estudos à partir da cimática.

As possíveis relações e experimentações estéticas entre o som e a imagem se intensificam e buscam estes intercruzamentos na cimática como elemento artístico e recurso poético para criação de arte sonora e visual na contemporaneidade.


Victor Valentim(1989) - Brasília/DF

Músico, Produtor Musical, Artista Multimídia, Pesquisador de música e novas tecnologias, professor assistente em design de interfaces no CECULT da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), graduado em composição musical e mestre em arte e tecnologia pela Universidade de Brasília (UnB). Atua no cenário da música e da arte tecnologia à 15 anos, com experiência em pesquisa e criação artística das relações entre o som e a imagem, com trabalhos apresentados no Brasil e diversos países. Atualmente integra o LabOgam - UFRB (Laborátório de Gambiarras Aplicadas) e desenvolve pesquisas de criação de obras para FullDome (cinema para planetários), Projeção mapeada em discos de vinil, Música, tecnologia e astronomia.

(victorvalentim.com) (miniestereo.org) (zivito@ufrb.edu.br)

Glerm Soares

Programador, Músico, Gambiólogo


Telégrafo AncestroFuturista

Arqueologia das mídias para performances musicais de Live Coding como estratégia para didática de métodos computacionais e eletrônicos para as artes.

Esta pesquisa-totem-ritual toma como ponto de partida a organização de uma cadeia de ferramentas ("toolchain") para construção de software ("aplicativo") e hardware ("computação física") de um dispositivo interativo para performances e composições musicais baseado no gestual do Telégrafo e o uso rítmico do código morse - criando um experimento conceitual de Arqueologia da Mídia que instiga narrativas críticas da tecnologia.

Um jogo performático que propõe uma mixagem de repertórios de textos e temas sonoros trazidos para confronto e cooperação com a máquina e com o programador.
O papel da técnica e da tecnologia no fazer sonoro e na escuta e (in)disciplinas no processo de criação sonora.

É possível produzir código computacional com a mesma intenção e leveza contida nas mais espontâneas atitudes musicais e não apenas como alienado suporte técnico para estas.

Precisamos naturalizar os gestos corporais, os processos mentais, a organização do cotidiano da rotina de programação tornando possível que esta cultura torne-se tão lúdica quanto a espontaneidade do uso criativo dos instrumentos musicais. Dar o passo adiante.


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Glerm Soares: Programador, Músico, Gambiólogo, Professor do Cecult-UFRB onde também coordena o projeto de extensão Lab0gam (Laboratório de Gambiologia e Código Aberto). Trabalha desde 2003 com ferramentas livres e linguagens de programaçao para criação artística e musical. Atuou como consultor e professor em oficinas de conhecimentos livres estimulando e documentando o uso de softwares e hardwares de código aberto no programa de Pontos de Cultura de 2005 a 2013, colaborando também com projetos como Estúdio Livre e Metareciclagem. Participou nos últimos 15 anos em festivais, congressos, seminários diversos em cidades do Brasil e exterior em iniciativas hacktivistas e de ênfase de processos artísticos para apropriação da tecnologia. Atua como performer, musico e (des)compositor em sucessivos, paralelos, ativos e/ou inacabados projetos musicais, sonoros, audiovisuais, criptorituais desde os 12 anos de idade, errando muito e acertando algumas fortunadas vezes, algumas delas provavelmente com você.

Bruno Rohde

Músico, artista visual e programador


ESMERIL / [ARRAST_VJ] - Uma micro performance com relato de pesquisa e desenvolvimento técnico-artístico de ferramentas livres para criação sonora e visual. Aspectos práticos, estéticos e políticos/éticos da arte digital em comunidades locais e transnacionais.

ESMERIL (2018) é uma plataforma livre para criação, performance e distribuição musical - um aplicativo que reproduz músicas em formato aberto e permite uma nova experiencia de escuta interativa, com manipulação de parametros para criação em tempo real de novas composições.

[ARRAST_VJ] (2017) é um software livre para criação e performance audiovisual, desenvolvido como ferramenta expressiva e didática em live cinema, vj, live visuals, video mapping, visual music, instalações e outras práticas.





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PAINEL DE INVENTORES

PEDRO AMORIM e BRUNO ROHDE

Biblioteca do Goethe Institut (Gratuito) 13/12 - 17h


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PAINEL DE INVENTORES
GLERM  SOARES E VICTOR VALENTIM

Biblioteca do Goethe Institut (gratuito) 14/12 - 17h